Enquanto os partidos políticos e os candidatos presidenciais se desdobram num esforço titânico com vista a garantir o voto do eleitorado no escrutínio de 28 de Outubro, os concorrentes à conquista do Moçambola-2009, com a sua campanha a aproximar-se do apogeu, no qual apenas um cantará o grande triunfo, vão fazendo as contas das mais diversas formas, pois neste momento tudo é imprevisível. Não há campeão e nem sequer se pode vaticinar um nome, dada a tenaz luta que se trava na linha da frente. A 23ª jornada também é rica do ponto de vista de incógnitas, senão vejamos: os comandantes, Desportivo e Ferroviário, nem com isso descansados, jogam em casa e, por seu turno, Costa do Sol e Liga Muçulmana, que se encontram a quatro pontos daqueles têm deslocações complicadas e para defrontar adversários que procuram a sobrevivência.
É inquestionável, nesta altura do campeonato, afirmar-se que o campeão deste ano será da capital do país. Ora, não estando isso em discussão, é lícito, no entanto, reconhecer que o eixo centro-norte pode perfeitamente refrear a indisfarçável euforia dos galácticos maputenses, retirando-lhes o tapete no auge da festa.
Falando em termos concretos, temos Desportivo e Ferroviário a receberem HCB de Songo e Ferroviário da Beira, respectivamente, enquanto Costa do Sol visita Chingale e Liga Muçulmana vai ao terreno do Ferroviário de Nampula. Por ironia do destino, “alvi-negros” e “locomotivas” têm pela frente dois conjuntos a realizar um campeonato brilhante, para os seus pergaminhos, encetando uma perseguição ao quinteto da frente; “canarinhos” e “muçulmanos” enfrentam duas equipas que estão na corda bamba. Resumindo: nenhum dos quatro candidatos se pode dar ao luxo de vir cá para fora se vangloriar por alguma razão, dada a ameaça que paira nas suas hostes.
Destes times, o primeiro a entrar em acção é o Desportivo, amanhã, a partir das 15.00 horas, no campo do 1º de Maio. É irrefutável o favoritismo “alvi-negro”, pela sua grandeza e por tudo quanto tem efectuado no campeonato, de que meritoriamente é co-líder. No entanto, é preciso não olvidar o facto de a HCB ser a equipa-sensação desta caminhada, porquanto, apesar de ser pela primeira vez primodivisionário, bate-se com qualquer oponente de peito aberto.
IRMANDADE “LOCOMOTIVA”?
O Ferroviário da Beira sempre negou o estatuto de “bombo da festa” do seu mano de Maputo. Mas, numa altura em que este precisa dos três pontos como o pão à boca, de forma a solidificar a sua condição de sério candidato, qual será a atitude da turma do Chiveve? Bom, temos para nós que Akil Marcelino não apelará aos seus pupilos para alguma irmandade e muito menos Chiquinho Conde, apesar de beirense de gema, deve encarar a missão como “favas contadas”, pois na verdade não o são e a prudência será chamada no domingo, no Estádio da Machava.
Esta situação aplica-se na justa medida também em relação ao Chingale-Costa do Sol, domingo, no campo do Desportivo de Tete. A equipa de João Chissano, ganhando, fortifica as suas possibilidades de ser campeão, mas tem igualmente a consciência de que o Chingale corre o risco de descer de divisão e esta realidade vai naturalmente espevitar os jogadores para uma atitude mais séria e responsável. Dificílimo, “canarinhos”...
Na fase menos feliz da sua magnífica carreira, a Liga Muçulmana vai a Nampula. Uma terra onde os adeptos do futebol choram porque eventualmente pode ser riscada da agenda do Moçambola, no próximo ano. E o que fazer? Um triunfo do Ferroviário, domingo, no Estádio 25 de Junho, pode ser um grande passo para evitar o colapso total. Só que, como é evidente, os “muçulmanos”, pretendendo continuar na rota do título, farão deste confronto um dos jogos da sua vida.
A 23ª jornada terá mais duas partidas no domingo: Maxaquene-Ferroviário de Nacala, no relvado dos “tricolores”, na Machava, em mais uma previsível vitória da era Zainadine Mulungo; e Textáfrica-FC Lichinga, na Soalpo, com os locais à busca da bóia de salvação. Já amanhã, no Estádio da Machava, jogam Matchedje e Atlético Muçulmano, com a turma de Arnaldo Salvado algo pressionada, pois ainda não garantiu de forma efectiva a manutenção.
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